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O Mundo Hora à Hora


 

RIM NEGOCIA FABRICAÇÃO DO BLACKBERRY NO BRASIL 10/3/2010  

A canadense Research In Motion (RIM), dona do celular BlackBerry , está em
negociações avançadas com a fabricante de eletrônicos Flextronics para iniciar a
produção de seus celulares no Brasil. A fabricação do aparelho, conforme apurou o
Valor, já foi testada nas linhas de produção da Flextronics, instalada em Sorocaba,
no interior de São Paulo. Ontem, segundo uma pessoa a par do assunto, um grupo
de executivos da RIM visitou a fábrica da companhia, que é especializada na
produção de equipamentos em regime terceirizado.

Procurado pelo Valor, o diretor de manufatura de equipamentos móveis da
Flextronics, Nelson Madrid, afirmou que não poderia dar nenhuma declaração sobre
o assunto, devido a acordos de confidencialidade que a companhia mantém com
seus clientes. "A Research In Motion acredita no grande potencial da América Latina
e estuda várias opções para manter sua estratégia de crescimento na região",
informou a empresa por meio de nota. "No entanto, hoje, dia 9 de março de 2010
[ontem], a RIM esclarece que não há qualquer confirmação em relação ao início da
fabricação de smartphones BlackBerry no Brasil ou em qualquer outro país da
América Latina."

Jim Balsillie, coexecutivo-chefe da RIM, está no Brasil para anunciar, amanhã, os
planos de negócios para o país em um encontro com representantes do governo,
empresários e jornalistas em São Paulo. Balsillie veio acompanhado de um time de
diretores da companhia, entre eles Rick Costanzo, responsável pelas operações na
América Latina.

Não é de hoje que a RIM avalia projetos para iniciar a produção local do BlackBerry.
Há exatamente um ano, em entrevista ao Valor, Costanzo afirmou que a
companhia estava particularmente preocupada com o impacto dos impostos sobre
seus produtos no país e que a fabricação local seria uma das melhores saídas para
reduzir o custo dos equipamentos.

Faz anos que as demais grandes marcas globais de celulares, como Nokia,
Samsung, LG e Motorola produzem seus equipamentos no Brasil, seja por meio de
estrutura própria ou por contratos firmados com empresas de fabricação
terceirizada. Até agora, apenas a RIM e a Apple não possuem nenhum tipo de
montagem local de seus produtos. Fora do Brasil, a RIM já conta com a parceria de
produção da Flextronics, multinacional de Cingapura. Boa parte da produção dos
equipamentos está concentrada no Canadá, no México e em países da Europa.
O principal diferencial do celular inteligente fabricado pela RIM é o seu serviço de
acesso instantâneo a e-mail. Nessa modalidade de envio, a mensagem é transferida
diretamente ao destinatário, sem a necessidade de passar por um provedor, como
nos sistemas tradicionais. Atualmente, no entanto, o BlackBerry tem sofrido a

concorrência crescente de rivais como o iPhone, da Apple, além de equipamentos
de outros fabricantes de celulares inteligentes, como Palm e HTC, que também
passaram a oferecer serviços sofisticados de acesso a e-mail. No mês passado, a
RIM reagiu, com o anúncio de um novo navegador de internet para seus aparelhos,
que promete mais rapidez para baixar arquivos e melhor visualização de sites.
Apesar da concorrência, as vendas globais do BlackBerry seguem aquecidas. No
terceiro trimestre fiscal, encerrado em dezembro, a RIM colocou no mercado global
10,1 milhões de aparelhos. Com esse volume, a companhia atingiu a marca de 75
milhões de celulares vendidos desde a criação do BlackBerry, há 11 anos.

Fundada em 1984, na província de Ontário, a RIM tinha um valor de mercado de
US$ 2,3 bilhões no início da década. Hoje, seu valor ultrapassa US$ 39 bilhões. Nos
Estados Unidos, a companhia tem brigado para manter-se na liderança do mercado
de celulares inteligentes, embora a Apple venha ameaçando seu reinado. O Brasil é
um dos mercados mais significativos para os fabricantes de celular. No ano
passado, foram vendidos 45,48 milhões de aparelhos novos no país. Segundo
dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil encerrou o mês
de janeiro com uma base de 175,6 milhões de celulares.

Fonte: VALOR ECONÔMICO
Global Research ®
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